Lenda de Logun edé
Logun-Odé sempre foi considerado príncipe, filho de reis. Menino arisco, teimoso, levado, brincava sempre além dos limites da regência de sua mãe Osun, que era a cachoeira. Porém, era admirado por todos, e muito querido também.
Certo dia, o príncipe, contrariando as ordens do pai e da mãe para que não brincasse perto do rio por ser perigoso, resolveu arriscar, atravessando de uma margem à outra, montado num toco de árvore.
Subitamente, o tronco virou e Logun-Odé foi parar no fundo do rio. Mesmo sendo um bom nadador, Logun não conseguiu chegar à tona.
Aflitos, e pressentindo algo de errado, Osossi e Osun, resolveram ir atrás dele e chegaram até o rio. O coração de mãe não se enganou. Osun sabia que seu filho estava no fundo do rio e apelou para a força de Olorun, a fim de recuperar seu primogenito.
- “Pai, - disse ela - não deixe que meu filho se afogue. Eu sou a Rainha das águas doces e não poderia perder meu filho justamente no fundo de um rio. Salve-o Pai, salve-o!”.
E Olorun, atendendo aos pedidos do deus da caça e da deusa das águas doces e da cachoeira, ergueu Logun-Odé do fundo do rio e advertiu:
- “Aí está seu filho, por sua teimosia, quase perdeu a vida. De agora em diante fica Logun-Odé, filho de Ibualamo e Yèyé Ypondá, com a obrigação de zelar pelos rios e promover a pesca”.
E, assim, Logun-Odé passou a reinar nos rios, a cuidar deles e ajudar os pescadores.
O elemento de Logun-Odé está ligado aos pais: terra e água, dando a ele os poderes do pai e da mãe.