°° NOTÍCIA °°

Alvo são negros e judeus
Por: Redação - Fonte: Afropress - 26/10/2006


S. Paulo - A onda de ataques de criminosos nazi-racistas da organização White Power (Poder Branco), iniciada na segunda-feira na capital, se ampliou nesta semana para cidades como Jundiaí, Várzea e Campo Limpo, onde foram feitas durante a madrugada pichações contra negros, homossexuais, judeus e nordestinos. Pelo menos oito lugares foram alvos dos ataques – cinco em Várzea, dois em Jundiaí e um em Campo Limpo.
Na segunda feira, três membros da organização foram presos na Vila Mariana, zona sul de S. Paulo, quando pregavam cartazes atacando as cotas raciais e com ofensas à população negra. Dois dos acusados foram soltos, contrariando posição do Ministério Público. Um segue preso por ter passagem pela Polícia.
Durante a semana um salão de cabelereiros afro e um muro de uma fábrica de tecidos pertencente a judeus foram pichados, em Várzea, que fica a 63 km de S. Paulo. Segundo João Batista Braga, 21 anos, proprietário do Função Black, pichado com a suástica, o clima de medo se espalhou na cidade. “Os clientes estão com medo. Estamos com receio de trabalhar”.
A fábrica Advance, fábrica do ramo têxtil, de propriedade de uma família judia foi pichada com os dizeres “Fora judeus parasitas. O Brasil não é colônia de Israel”.
Na cidade de Jundiaí, a 60 km de S. Paulo, uma Igreja Evangélica – a Leão da Tribo de Judá – foi atacada por ter uma bandeira de Israel na porta. Os nordestinos também foram alvo do grupo nazi-racista que picharam o muro de uma casa na avenida Duque de Caxias em Várzea. “Fora nordestinos imundos”.

Leci comanda adesão a Lula
Por: Redação - Fonte: Afropress - 26/10/2006

Brasília - A cantora Leci Brandão comandou a adesão de lideranças negras à campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em ato no Comitê Nacional da Campanha que reuniu cerca de 28 entidades, entre as quais a Rede Educafro.
Em troca do apoio, os movimentos entregaram a Jacques Wagner, novo governador da Bahia, que representou Lula no ato, um documento com reivindicações para serem implementadas em caso de vitória nas eleições deste domingo.
Entre as propostas está a formação de professores da rede pública para uma educação anti-racista e a defesa de cotas para negros e indígenas.
Na área da saúde a proposta é a garantia da assistência psíquica para a população negra e implementação de núcleos de atendimento à mulher negra nos hospitais de rede pública. Também foi proposto a abertura de um curso obrigatório de combate ao racismo para os policiais federais, civis e militares com duração mínima de 40 horas.
No domingo, segundo informa o colunista de Afropress, Antonio Lúcio, o cantor e empresário Netinho de Paula, já havia assumido a campanha do atual presidente, acompanhando Lula em um ato na Cidade Tiradentes, região que tem o único subprefeito negro de S. Paulo, o tucano Arthur Xavier.

Juiz libera dois e mantém um racista preso
Por: Redação - Fonte: Afropress - 26/10/2006

S. Paulo - Contrariando a posição do Ministério Público que, através do promotor Marcelo Luiz Barone, deu parecer contrário à liberação considerando racismo crime imprescritível e inafiançável conforme estabelece a Constituição, o Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária de S. Paulo (Dipo), liberou o designer Eduardo Brandão Jarussi, 26 anos, e o autônomo Rogério Costa Andrade, 27, que a partir de hoje estarão nas ruas.
Permanece, no entanto, preso no Centro de Detenção Provisória Independência, na capital, Emerson de Almeida Chieri, 34 anos, que tem passagens por roubo, furto e posse de drogas. Os três foram presos por policiais militares quando, na madrugada de segunda para terça-feira, pregavam cartazes contra as cotas para negros e indígenas. Os cartazes - os mesmos mantidos na página da organização neonazista White Power (Poder Branco) - diziam que os negros "roubam" as vagas dos brancos e mostram um negro aprovado após errar várias questões.
Os acusados pertencem à organização que prega o ódio contra negros e judeus e estampa na sua página, a cruz suástica símbolo do nazismo. No mesmo dia, em que foram liberados para responder, a Delegacia de Crimes Raciais instaurou outro inquérito contra a organização nazi-racista, que se articula a partir de S. Paulo, por manter em sua página na Internet em tom de desafio e ameaça, as imagens da delegada chefe Margarette Barreto e do editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira. Os dois são apresentados como inimigos da organização.
A delegada Margarette Barreto disse que a exposição das imagens é uma ameaça à integridade física de ambos. Por sua vez, o jornalista Dojival Vieira está levando o conhecimento do fato às principais autoridades do país – incluindo o secretário da Segurança Pública de S. Paulo, Ministro da Jutiça, Polícia Federal -, e disse que vai levar o caso às organizações internacionais em defesa dos direitos humanos e da liberdade. “Nossa integridade física e da minha família são de inteira responsabilidade das autoridades públicas constituídas, responsáveis por garantir aos cidadãos e cidadãs seus direitos constitucionais, inclusive o da segurança e da incolumidade física”, afirmou.
O delegado Paulo de Jesus de Souza Filho, da Polícia Divisionária da Divisão de Proteção à Pessoa do DEIC, colocou à disposição do jornalista medidas protetivas, que serão utilizadas “caso haja necessidade”.
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